O “novo paciente” e o design arquitetônico para promover a cura

O “novo paciente” e o design arquitetônico para promover a cura

O “novo paciente” e o design arquitetônico para promover a cura

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Imagine que você retorna de um procedimento cirúrgico e passa a se recuperar num quarto confortável, com vista para um belo jardim, decorado em tons suaves, equipado com TV de tela plana e um sofá muito confortável para o seu acompanhante. Esta não é a descrição do quarto de um hotel. Este é o quarto de um hospital moderno, projetado com o objetivo de garantir a segurança e a pronta recuperação dos pacientes.

Empregando uma nova abordagem chamada de Design Baseado em Evidências, um número crescente de arquitetos está projetando hospitais priorizando elementos arquitetônicos que valorizam os ambientes, tais como explorar a luz natural, ter uma visão da natureza, cuidar do conforto acústico – minimizando os ruídos no ambiente – e utilizar uma paleta de cores suaves, mas variada, tudo isto com o objetivo de produzir resultados positivos para o paciente.

Os edifícios hospitalares normalmente são lugares muito estressantes, por isso temos de criar um ambiente suave que trabalhe os cinco sentidos. Sabemos que o organismo se recupera melhor quando não está em um estado de grande ansiedade e muita produção de hormônios do estresse, que aumentam a frequência cardíaca e afetam o sistema imunológico. Se podemos projetar instalações que diminuam a ansiedade do paciente, podemos ajudá-los a se recuperarem mais rapidamente.

O movimento do Design Baseado em Evidências teve início em 1984, nos Estados Unidos, com a publicação de um estudo intitulado “View Through a Window May Influence Recovery from Surgery,” de Roger Ulrich, professor de arquitetura da saúde do Texas e pesquisador do Design Baseado em Evidências.

Para o estudo americano, dois grupos de pacientes que haviam sido submetidos a um mesmo procedimento cirúrgico foram observados durante o período de recuperação dentro das instalações hospitalares. Um dos grupos utilizou quartos que tinham vista para outro edifício, enquanto o outro conjunto de pacientes tinha vista para um pequeno bosque de árvores.  Os pacientes que puderam usufruir do cenário natural apresentaram uma menor estadia no hospital, um humor melhorado, menos complicações após a cirurgia, além da necessidade de menor ingestão de medicação para a dor.

O estudo de Ulrich estimulou outras investigações sobre como o ambiente pode ser projetado para melhorar os cuidados de saúde. Hoje, existem mais de 1.000 estudos de universidades, centros de saúde e escolas de arquitetura que se debruçam sobre o mesmo tema no mundo todo.

O Design Baseado em Evidências busca abordar todos os tipos de necessidades humanas que se refletem no projeto, explorando todos os elementos que podem colaborar para causar menos estresse ao paciente. Os pacientes não são os únicos a usufruir dos benefícios de um ambiente saudável pensado para abreviar a cura. Os profissionais de saúde e demais funcionários também se beneficiam e o mesmo conceito pode ser aplicado nos ambientes que eles frequentam como, conforto de pessoal, refeitório e outras dependências.

Elementos valorizados pelo Design Baseado em Evidências

  • Iluminação natural

A luz natural colabora com o aumento da produção de serotonina (o “hormônio da felicidade”) e com a diminuição da melatonina (o “hormônio do sono”), ajudando a sincronizar o ritmo circadiano com o ambiente natural. Estudos sobre o tema revelam que a necessidade dos pacientes em relação à ingestão de medicamentos contra a dor é reduzida em 22%, quando eles são expostos à luz do sol.

  • Conexão com a natureza

Ter uma visão da natureza, mesmo que seja através de uma janela ou sentado em um jardim, tem sido associada à redução da pressão arterial e da produção de hormônios do estresse. Por outro lado, a ausência dos elementos naturais pode produzir altos níveis de ansiedade e depressão. As pesquisas indicam que árvores, grama, flores e o barulho de água fluindo têm o poder de distrair e acalmar os pacientes. A natureza proporciona “uma trégua mental”.

  • Redução de ruído

Com o ruído minimizado, especialmente à noite, os pacientes podem vivenciar uma experiência de descanso mais intensa, com menos estresse, o que pode acelerar a recuperação. As pesquisas neste sentido têm demonstrado que unidades neonatais mais tranquilas estimulam o desenvolvimento dos prematuros. Um ambiente mais calmo também pode ajudar o corpo clínico a exercer suas funções com um menor número de erros.

  • Quartos individuais

Quartos individuais para os pacientes não só proporcionam uma estadia com mais privacidade, como reduzem a necessidade de transferência do paciente para realização de pequenos procedimentos e o risco de infecções. Com quartos individuais, os pacientes têm mais privacidade. Os estudos revelam que dessa maneira os pacientes ficam mais predispostos a conversar com os profissionais de saúde, colaborando mais com o tratamento. Quartos mais modernos também possuem uma área específica para a família porque as evidências mostram que o apoio familiar ajuda o paciente a se restabelecer mais rapidamente.

  • Utilização de cores

Quartos de internação pintados em tons neutros, ao invés de um branco puro ou de cores primárias intensas, colaboram com a redução dos níveis de ansiedade, melhorando o humor e promovendo o relaxamento.

Por Márcia Wirth

(reprodução autorizada com créditos)

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