Médicos e sua reputação on-line

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Quando um amigo que é médico recentemente criou sua conta no Facebook, seus colegas de clínica começaram a provocá-lo: “Você não vai fotografar e compartilhar o que você come, vai?”.

As perguntas, no início, jocosas, no entanto, logo ficaram sérias: “Quantas vezes você vai postar?”, “O que você vai fazer se o paciente pedir um aconselhamento médico via Facebook?”, “Você criou um perfil pessoal ou uma fanpage profissional?”, “Você não se preocupa em se expor desta maneira?”.

Enquanto a maioria dos médicos ainda está aprendendo a lidar com o fato de que seus pacientes rotineiramente fazem consultas on-line para obter informações sobre doenças, tratamentos e sobre eles próprios, muitos ainda permanecem inquietos sobre uma tendência mais recente: a Internet está rapidamente se tornando o meio prioritário de escolha dos pacientes no que diz respeito aos profissionais de saúde, pois oferece a oportunidade de conexão, de aprendizado sobre a própria doença e até mesmo de avaliação do médico.

E enquanto muitos médicos têm usado o Facebook, o Twitter, o LinkedIn ou as comunidades on-line  para se relacionarem com amigos, colegas e familiares, poucos se comunicam com os pacientes por esses canais. A razão? Eles não têm certeza de como agir no ambiente virtual. Como ser um “médico on-line”?

Gostando ou não desse fato, todos os médicos reconhecem que a Internet afetou profundamente a relação médico-paciente. E os médicos devem compreender os efeitos dessa mudança no momento do atendimento do paciente. Os médicos precisam fazer uso das mídias sociais, porque é lá que os pacientes estão. A primeira barreira a ser quebrada é a aversão ao risco.

Nas mídias sociais é que acontecem as discussões sobre os temas mais controversos em saúde: vacinas, hemorroidas, AIDS, infertilidade, terapias complementares, dentre outros… É na Internet que a opinião de celebridades, políticos e pessoas comuns (sem o menor conhecimento científico) se equipara e, muitas vezes, prevalece sobre a de especialistas nestes temas, médicos que dedicaram suas vidas para estudar e pesquisar um determinado assunto.

No entanto, o que vemos? Que com a expansão da Internet e com o consequente empoderamento dos pacientes, os médicos “perderam sua voz”, e, portanto, a sua autoridade, por isso, muitos optam por ignorar, ao invés de abraçar a Internet. Muitos alegam que já estão sobrecarregados com o trabalho árduo de dissipar mitos e acalmar os temores dos pacientes, provenientes da web.  Esta é uma situação que poderia ter sido evitada se os médicos – assim como fazem as celebridades, políticos e pacientes – tivessem marcado presença no YouTube, no Twitter, no Facebook e em outras mídias sociais, ofertando informação científica de qualidade.

O maior risco de mídias sociais na área da saúde é não usá-las. É preciso compreender que hoje, os médicos que optaram por se relacionar melhor com seus pacientes, estão trabalhando não só nas enfermarias, consultórios, clínicas e hospitais, mas também on-line, sem se importarem com a ferramenta, pois o que conta são sempre as pessoas e o resultado das interações entre elas.

 Por Márcia Wirth

(reprodução autorizada com créditos)

 

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