Escolha uma Página

Aprendendo a gerir a clínica…

A excessiva oferta de serviços médicos oftalmológicos oferecidos nos grandes centros urbanos, em especial nas regiões sul e sudeste do Brasil, provoca uma concorrência acirrada entre os oftalmologistas que se propõem a atender nessas regiões. A situação se torna ainda mais delicada quando o profissional opta por ter seu próprio consultório, sem se filiar a grandes clínicas. Num cenário assim, saber como administrar bem o negócio é tão importante quanto dominar as técnicas da especialidade.

Na competição com as megaclínicas, que contam com equipamentos para exames e especialistas de todas as sub-especialidades, os oftalmologistas que optam por trabalhar sozinhos podem sair na desvantagem. Quem faz o alerta é Rodrigo Centurion, administrador operacional do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), em São Paulo. “É complicado concorrer com grandes clínicas que têm condições de realizar os exames e até mesmo cirurgias, quando necessárias, em um único lugar”, conta.

Uma coisa, no entanto, é certa: não importa o tamanho do consultório ou da clínica, é fundamental desenvolver um bom relacionamento com o paciente. “Na luta contra a crescente intervenção dos planos de saúde na medicina, muitos oftalmologistas se vêem obrigados a diminuir o tempo de consulta, deixando os pacientes insatisfeitos. Saber trabalhar corretamente essa relação, deixando de lado as interferências burocráticas e esquecendo da concorrência, é a melhor maneira de se propiciar um atendimento mais personalizado”, revela Virgilio Centurion, diretor clínico do Instituto de Moléstias Oculares (IMO) e autor do livro As Bases da Administração em Oftalmologia (Cultura Médica).

Mas algumas dicas simples de gestão podem ajudar o oftalmologista a administrar seu consultório sem dever nada aos grandes centros.

Atenção aos detalhes

Num ambiente tão competitivo, é essencial que o oftalmologista fique atento, na hora de abrir o consultório, a alguns detalhes que podem ser decisivos no longo prazo. Uma dica dada pelo administrador é quanto à localização. “Uma boa localização vale para qualquer tipo de estabelecimento, inclusive para consultórios médicos. Estar instalado em locais de fácil acesso e próximo a centros de diagnóstico é muito útil quando o paciente necessitar se deslocar para fazer exames”, informa.

Outro fator não menos importante é a de que o consultório seja bem cuidado, agradável e moderno. Segundo Rodrigo Centurion, não importa o tamanho do lugar, mantê-lo sempre impecável é uma obrigação. “Sem um bom visual, o paciente logo vai perceber o desleixo e correr para as grandes clínicas, que têm funcionários uniformizados e servem café. Organização é fundamental”, acrescenta.

O esmero se aplica também ao staff. Centurion é enfático ao afirmar que, independente da quantidade de funcionários, eles devem estar preparados para atender os clientes da melhor maneira possível. Com mais de 50 anos de profissão, o oftalmologista Carlos Moreira, diretor do Hospital de Olhos do Paraná, em Curitiba, faz coro. “Mesmo em um pequeno consultório é indispensável uma recepcionista bem treinada que auxilie o oftalmologista na pré-consulta e que saiba passar as informações ao paciente, por exemplo, até para que ele não se frustre na consulta”, destaca.

Ainda no quesito funcionários, Moreira enfatiza: deixe sempre muito clara a relação com os empregados, mesmo que eles sejam em número reduzido. “Para evitar eventuais contratempos, vale ter um setor jurídico que esteja preparado para cuidar dessas questões a fim de evitar problemas futuros”, diz.

O ambiente acima descrito pode resgatar para o paciente, mesmo que não idealmente, a personificação das consultas médicas realizadas no passado. Segundo Virgílio Centurion, ainda que muita gente alegue não ter mais do que 10 minutos para uma ida ao médico, a maioria ainda busca uma consulta personalizada, que avalie a situação de cada um de forma individual. “E ter o próprio consultório dá uma grande vantagem ao oftalmologista: é ele mesmo quem regula o tempo de trabalho e determina quanto gastar para cada consulta”, afirma.

Para o oftalmologista, a questão da impessoalidade que se torna cada vez mais comum em grandes instituições afasta muitos pacientes. “Qualquer um quer ser bem atendido e quer que o médico saiba tudo sobre o seu caso, que o trate de forma pessoal”, diz.

Tecnologia a favor das partes

A área da oftalmologia tem se beneficiado enormemente dos avanços tecnológicos, com novos equipamentos que melhoram e aumentam a precisão dos exames e procedimentos. Virgilio Centurion, do IMO, afirma que esses avanços auxiliam tanto médico quanto paciente no tratamento de doenças, mas trazem consigo um preço adicional. “É preciso fazer investimentos financeiros para poder usufruir desses benefícios, e por isso é muito importante saber como administrá-los”, salienta.

Segundo o especialista, apenas para realizar um exame de refração e prescrever um par de óculos ao seu paciente o profissional precisa de um investimento inicial de R$ 100 mil, sem contar gastos com aluguel e funcionários. “Esse valor é irrisório para uma grande clínica ou hospital, mas para uma pessoa só é bastante significativo”, diz.

Tanta tecnologia deve ser empregada a favor do oftalmologista. Uma prática muito comum hoje em dia é a parceria entre os médicos que trabalham em pequenos consultórios com grandes clínicas. Segundo Rodrigo Centurion, esse oftalmologista não tem equipamentos para todos os exames necessários e, portanto, precisa encaminhar seus pacientes a um centro especializado. “É uma alternativa benéfica para os dois lados e uma prática constante em nossa clínica”, ressalta. “Um poderá suprir a falta de equipamentos, enquanto o outro ganhará com a realização dos exames.”

Para Moreira, é imprescindível que as partes façam um acordo de maneira clara e honesta para que não haja disputa pelo paciente. “O paciente deve ir à clínica somente para fazer os exames e essa não deve persuadi-lo a ficar e ser atendido lá”, explica.

Qualificação profissional

Uma das mudanças observadas no mercado atual é a tendência à super-especialização, em que há cada vez menos espaço para o oftalmologista geral. Quem observa o fato é Marcelo Ventura, diretor do complexo hospitalar Hope-Esperança, em Recife, Pernambuco. “Tirando o interior do país, onde há uma carência por profissionais de saúde ocular, é fundamental que o oftalmologista se aprofunde em alguma sub-especialidade e esteja em constante atualização para poder suprir as necessidades atuais dos pacientes”, destaca.

Dessa forma, a oferta de sub-especialidades oferecidas pelos grandes centros oftalmológicos pode ser visto como uma grande vantagem. Ventura conta que hoje os pacientes procuram resolver tudo em um único lugar. “Além de ser atendido por um profissional de qualidade, o paciente não quer mais ser encaminhado para outro local caso necessite de um especialista para resolver sua questão”, explica.

Há casos, entretanto, em que a situação se inverte. Em determinadas sub-especialidades, alguns oftalmologistas acabam por se destacar e se tornar referência na área, atendendo sozinhos os casos que lhes são encaminhados. “São eles que recebem os pacientes encaminhados de lugares onde há carência de especialistas de uma determinada área. É comum encontrar grandes clínicas que não têm especialistas em todas as áreas e que referem imediatamente pacientes em situações mais graves para aquele profissional especializado”, conta Virgílio Centurion.

Um tópico abordado pelo especialista – e essa, sim, uma questão universal envolvendo pequenos consultórios e grandes clínicas – é com relação aos convênios médicos. Segundo ele, independente da qualificação do profissional, qualquer um precisa dos convênios para sobreviver financeiramente. “Os valores repassados pelos convênios médicos e pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são muito abaixo do esperado e não levam em consideração a qualidade do serviço oferecido pelo profissional. Portanto, quanto melhor a qualidade do seu atendimento, maior será a satisfação de seu paciente, que com certeza fará a melhor de todas as propagandas: a do boca-a-boca”, diz.

FONTE: REVISTA UNIVERSO VISUAL

Veja também em News…

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Abrir o chat
Precisa de ajuda?
Oi, posso te ajudar?