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Publicidade médica pauta-se na ética

30 de junho de 2011

Segundo dados divulgados pelo Cremesp, cerca de 97% dos médicos que respondem a processos éticos-profissionais relacionados a cirurgias plásticas e procedimentos estéticos não possuem título de especialista na área. Os dados que foram levados em conta pelo órgão abrangem a análise de processos éticos que tramitaram no órgão de janeiro de 2001 a julho de 2008, totalizando 289 médicos.

Deste contingente, 139 médicos (48,1%) não têm título em nenhuma especialidade médica. Já 143 médicos (49,5 %) possuem título em especialidades não relacionadas à cirurgia plástica e procedimentos estéticos. Dentre os médicos processados, figuram 6 cirurgiões plásticos (2,1%) do total e apenas um dermatologista (0,3% do total).

Um dado chama a atenção neste levantamento do Cremesp: a publicidade médica irregular é a infração mais recorrente nos processos analisados pelo órgão que envolvem a cirurgia plástica e os procedimentos estéticos. Esta prática abrange a exposição de pacientes (mostrando o ‘antes’ e o ‘depois’), a divulgação de técnicas não reconhecidas, de procedimentos sem comprovação científica e a mercantilização do ato médico (anúncios em quiosques de shoppings, promoções onde o ‘prêmio’ é uma cirurgia plástica, consórcios e crediários para realização de cirurgias plásticas).

Em relação à exposição de pacientes em fotografias, vídeos de cirurgias ou outros meios de divulgação leiga, cabe aqui, rigorosamente, a observação ao artigo 104 do Código de Ética Médica, que veda ao médico essa prática. Fotos e vídeos de cirurgias somente podem ser apresentados em reuniões no meio científico, após obtenção do consentimento do paciente.

O médico também não pode divulgar durante entrevistas preços de consultas populares, cirurgias plásticas, pacotes para partos, planos de financiamentos, parcelamento de honorários, descontos, promoções ou sistemas de consórcios. Não pode divulgar preços de cirurgias, nem mesmo média de preços. Este tipo de divulgação é encarada como mercantilização da Medicina pelos órgãos fiscalizadores.

Acreditamos que as ideias equivocadas sobre marketing que muitos médicos ainda carregam podem ser revertidas com trabalhos de conscientização, como os guias e manuais de publicidade médica produzidos pelos Conselhos de Medicina, bem como com cursos que promovemos, que asseguram a prática segura das técnicas de marketing em prol do trabalho médico.

Por Márcia Wirth
(reprodução autorizada com créditos)

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